A leitura socioantropológica de Inglês de Souza nos
permite constatar a acuidade científica que o escritor
empregou ao descrever seus enredos,
com informações precisas sobre as
vilas, as populações, os costumes, as
tradições, as disputas políticas, a
exploração dos trabalhadores e o meio
ambiente, entre outros temas
amozônicos. Seus livros permitem
reconstituir minuciosamente a vida em
cidades paraenses como Óbidos, Faro
e Alenquer, na segunda metade do
século XIX, quando a economia era
baseada no cultivo do cacau e na
pesca do pirarucu. Inglês de Sousa é
um realista sóbrio, ele não está determinando a questão
patológica que vai ser a grande característica do
Naturalismo. E um Realismo sóbrio, não forçado, natural.
Mas com certeza ele foi o primeiro. Inglês de Sousa viveu na
Amazônia, viu a realidade. Ele não é um repórter que chega
a um lugar e escreve a impressão superficial do que vê.
Inglês de Souza teve uma vivência daquilo e colocou nos
livros as suas impressões. E claro que seus pais também
ajudaram. A obra de Inglês de Souza é parte memória da
infância e parte relato dos pais, o que não a desmerece
enquanto fonte sobre o cotidiano amazônico.
terça-feira, 30 de março de 2010
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