domingo, 7 de março de 2010

Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco)

Amor de Perdição é o título de uma novela portuguesa de Camilo Castelo Branco, escrita em 1861. É a mais famosa do autor, um dos expoentes do romantismo em Portugal.

A acção

Nesta novela colocou Camilo o choque romântico entre os representantes de duas gerações, a dos pais que se odeiam – Tadeu de Albuquerque e Domingos Botelho – e se orgulham dos seus pergaminhos genealógicos, e a do jovem casal – Teresa e Simão – que intensamente se amam e que desejam apenas liberdade de movimentos para realizar os legítimos anseios de partilhar as suas vidas. Perante a oposição paterna, desencadeia-se a luta tenaz e sem tréguas. Os jovens apostam na sua determinação e nos direitos do coração e numa esperança de raiz cristã, os seus pais na força das instituições.

A intriga conclui-se numa tragédia ao modo de Romeu e Julieta.

Personagens

A firmeza serena do amor de Teresa, que a leva à morte, capta a total simpatia do leitor e Simão tem o mérito de se sacrificar sem hesitações à causa da sua paixão e a hombridade de aceitar a condenação da justiça sem mover quaisquer influências para a torpedear. Ambos consideram que pautam as suas acções por uma bitola de grande elevação moral e se sentem vítimas dum destino que os conduz à catástrofe.

De entre as personagens secundárias merecem menção a original Mariana, com a sua dedicação tão generosa a Simão, e o seu pai, misto de violência, gratidão e ternura.

Espaços

Sobressaem na narrativa dois espaços físicos, o da cidade de Viseu e arredores e o do Porto-Gaia, com a Cadeia da Relação, o Convento de Monchique e o porto fluvial donde Simão e Mariana partem para o degredo.

A nível de espaço social, há o mundo da nobreza, a que pertencem Simão, Teresa e seus pais, e o do povo, representado principalmente por João da Cruz e Mariana.

Caso curioso é o do contraste entre as tão pouco zelosas freiras do convento de Viseu e as monjas exemplares de Monchique.

Tempo

A novela recria um período das décadas finais do antigo regime (princípios do séc. XIX) e foi escrita num momento avançado do romantismo, já próxima da eclosão da Questão Coimbrã. De notar, nas relações entre o tempo da história e o tempo do discurso, aqueles períodos que o narrado privilegia e em que se demora e aqueles que resume ou simplesmente ignora.


Estilisticamente, são notáveis na novela o estilo másculo de Camilo na descrição realista das cenas e os voos líricos e sentimentais das cartas, especialmente nas de Simão.

Unamuno considerou o Amor de Perdição “a novela de paixão mais intensa e mais profunda que se tenha escrito na Península”.

A redação desta obra, a novela passional camiliana de maior nomeada, foi inspirada nas desventuras do autor - sempre envolvido em casos amorosos complicados - e na peça Romeu e Julieta, de Shakespeare. Com a sua publicação em 1862, Castelo Branco alcança grande popularidade.

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